terça-feira, 19 de junho de 2012

Juiz ameaçado

Quadrilha do Cachoeira ameaça e expulsa juiz federal

Valdeci Rodrigues | Valdeci | 19/06/2012 09h27
Que país é esse?

Depois de termos a notícia de que o juiz federal Paulo Augusto Moreira Lima, responsável pela Operação Monte Carlo, que colocou o contraventor Carlinhos Cachoeira e vários de seus comparsas na cadeia, havia sido removido da 11ª Vara da Justiça Federal em Goiás, o que retarda todo o processo, que nos chega agora?

O juiz federal Paulo Augusto Moreira Lima relatou que está sendo ameaçado de morte. Disse que integrantes da quadrilha de Cachoeira podem ter matado pessoas e que pediu para ser tirado do caso.

Maracutaia pura e criminosa. Por que o Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1) informou que o juiz estava saindo apenas e tão-somente porque era substituto e que outros magistrados haviam saído de férias, o que provocou o remanejamento?

Antes de eu continuar: o TRF-1 é onde despacha o desembargador Tourinho Neto que batalha para anular provas conseguidas pela Polícia Federal por intermédio de escutas telefônicas. Até agora ele não conseguiu.

De acordo com notícia da Agência Estado, atualizada já  na madrugada dessa terça-feira, "em ofício encaminhado no último dia 13 ao corregedor-geral do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Carlos Olavo, ele (juiz) afirma não ter mais condições de permanecer no caso por estar em 'situação de extrema exposição junto à criminalidade do Estado de Goiás'. E para evitar represálias, disse que deixará o país temporariamente".

E mais:

"No documento ao qual o Estado teve acesso, o juiz relata que segue esquema rígido de segurança por recomendação da Polícia Federal, mas diz que sua família foi recentemente abordada por policiais, que fizeram uma 'ameaça velada'".

Um parêntese: a quadrilha, comandada por Cachoeira, que tem como defensor o ex-ministro da Justiça no governo Lula Márcio Thomaz Bastos - portando ex-chefe da Polícia Federal - tem entre seus integrantes policiais civis, militares e da própria Polícia Federal.  E ligações com governadores e integrantes do Poder Judiciário.

"Minha família, em sua própria residência, foi procurada por policiais que gostariam de conversar a respeito do processo atinente à Operação Monte Carlo, em nítida ameaça velada", afirmou o juiz .

Paulo Augusto Moreira Lima "indica que investigados pela Operação Monte Carlo podem estar relacionados a assassinatos cometidos recentemente, o que configuraria queima de arquivo. 'Pelo que se tem informação, até o presente momento, há crimes de homicídio provavelmente praticados a mando de réus do processo'", escreveu.

"Nas cinco páginas em que explica o pedido para deixar o caso, Lima elenca os recentes processos polêmicos que comandou. Na Monte Carlo, 79 réus foram denunciados, sendo 35 policiais federais, civis e militares. E por ter determinado o afastamento dos policiais de suas funções, afirma que não pôde ser removido para varas no interior do estado 'por não haver condições adequadas de segurança'".


"Em setembro, Lima afirma que tirará os três meses de férias que teria acumulado e sairá do país por 'questões de segurança'. O juiz titular da 11ª Vara em Goiás, Leão Aparecido Alves, deve herdar o comando do processo. Mas suas relações pessoais podem colocá-lo sob suspeita. Alves admitiu, recentemente, ser amigo há 19 anos de um dos investigados - José Olímpio de Queiroga Neto, suspeito de envolvimento com o grupo de Carlinhos Cachoeira".

As aspas, informo, foi porque reproduzi texto da Agência Estado.

Judiciário sob suspeita, governo federal sob suspeita, governos estaduais sob suspeita, policiais praticando crimes em nome de um contraventor que tem como defensor o ex-chefe da Polícia Federal, Márcio Thomaz Bastos, um juiz fugindo....

....que país é esse?

Brasil, nem precisa mostrar sua cara, os brasileiros sabem quão fétidas são suas entranhas institucionais, onde até um senador, Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), era contínuo (office-boy) da quadrilha.

Mas ainda há os que reclamam da horrível imagem da nação no exterior. Poderia ser diferente?

Enquanto isso, vemos fotos do ex-presidente Lula aliando-se ao deputado Paulo Maluf (PP-SP), que não pode deixar o país porque pode ser preso pela Interpol.

0 comentários:

Postar um comentário