terça-feira, 11 de março de 2014

Blog Mais Nutrição

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Conheça o caminho da fome

Posted: 11 Mar 2014 03:52 AM PDT

Beef burger

Beef burger

Chega o final de semana e, com ele, a velha desculpa de iniciar a dieta na segunda-feira. No sábado e no domingo, excessos estão liberados. Mas eis que começa a semana e, junto à motivação para emagrecer, a angústia: será que vou conseguir manter a dieta até perder os quilos indesejados? A contar pela animação do primeiro dia, sim. Conforme o tempo passa, vai ficando cada vez mais difícil. Aquele cheiro de pão recém saído do forno começa a parecer tão irresistível, que logo a força de vontade cede à tentação.

A eterna luta contra os quilinhos a mais não é nova, e as dietas rápidas há muito se mostraram ineficazes para ajudar a manter o peso ideal. Somente no Brasil, mais de 27 milhões de pessoas estão acima do peso. No esforço para reduzir a epidemia de obesidade no mundo, a ciência tem se dedicado a descobrir por que é tão difícil emagrecer. Alguns culpam a preguiça, outros, a gula. Mas os estudos indicam que os mecanismos da fome são tão complexos que nenhuma dieta mágica é capaz de controlá-los. Entender os hormônios que atuam na regulação do apetite e conhecer melhor o seu corpo ainda é, conforme especialistas, a melhor forma de fazer as pazes com a balança.

Assim como um carro precisa de combustível para andar, o corpo humano necessita de energia para funcionar. A analogia pode parecer simples, mas se pensarmos na complexidade do motor de um veículo, podemos ter uma ideia da complicada rede de sinalizadores, canais e receptores que envolvem o mecanismo da fome. Vários ógãos do corpo avisam o hipotálamo, região do cérebro onde é regulada a fome e o apetite, se precisamos ou não de comida. A identificação da leptina, hormônio secretado pelas células de gordura, foi um marco na pesquisa da obesidade. Conforme a endocrinologista Helena Schmid, professora da Faculdade de Medicina da UFRGS, a quantidade de leptina indica o quanto temos de gordura acumulada. Altas concentrações deste hormônio avisam o cérebro que nossas reservas energéticas estão altas e, assim, sentimos menos fome. Isso funciona bem para alguns, mas não para todos. Pessoas que estão acima do peso, na maioria das vezes, apresentam resistência à ação da leptina, que não é reconhecida pelo cérebro. Logo, comem mais do que precisam.

Você acaba de almoçar e está se sentindo tão satisfeito que deixa de lado o resto de feijão e arroz no prato. Mas, lá da cozinha, começa a vir aquele cheiro de bolo com cobertura de chocolate. Mesmo de barriga cheia, o desejo pelo doce é tamanho que você não resiste. Enquanto saboreia a guloseima, experimenta uma forte sensação de felicidade. Poucos minutos depois do prazer, é invadido pela sensação de ter comido mais do que deveria.

O que nos leva a comer mesmo sem fome tem sido estudado por pesquisadores de todo o mundo. Ao que tudo indica, o cérebro é um dos principais vilões nessa história, já que associa a comida não somente à fonte de energia, mas também de conforto, alívio do estresse e até de felicidade.

– O alimento pode ser um refúgio, uma carícia, um vício. A vontade de comer pode estar associada à "fome emocional", em que há dificuldade em identificar e reconhecer estados emocionais, como frustrações, sentimentos de fracasso, raiva, tristeza, como atenuante da solidão, entre outros – explica a psicóloga Rosemary Viana, da equipe de cirurgia bariátrica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

Entender a diferença entre a fome e o desejo de comer pode ser o primeiro passo para manter o peso ideal. Conforme a nutricionista Mariana Steffen Holderbaum, do Centro de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital São Lucas da PUCRS, existe uma grande diferença entre estas duas sensações. Enquanto a fome é instintiva e desencadeada pela ação de hormônios que são estimulados quando o corpo sente falta de nutriente, o desejo de comer pode ser provocado por diferentes estímulos, como o olfato e a visão.

– A vontade de comer pode dar-se independentemente da necessidade de nutrientes do organismo. A busca pelo consumo de açúcar, por exemplo, ocorre porque ele induz o corpo a produzir serotonina (o hormônio responsável pela sensação de prazer), o que resulta em uma sensação de bem-estar temporário, trazendo uma falsa ideia de conforto e satisfação – complementa a especialista.

Uma forma de identificar o que sentimos quando temos vontade de comer é pensar em outras comidas. Para saciar a fome, qualquer alimento serve, inclusive aqueles que não nos apetecem tanto. Na próxima vez que você se deparar com aquele cheirinho irresistível de pastel frito, antes de abocanhar a guloseima, não esqueça de se perguntar: estou realmente com fome, ou apenas com vontade de comer?

OS CULPADOS
Nem sempre aquele ronco na barriga é sinal de fome. Mas é o estômago, sim, quem dá o primeiro alerta da hora de abrir a boca. E quem vai comandar essa jogada no organismo é o cérebro, mais especificamente, o hipotálamo

PRIMEIRO AVISO
Imagine que você acorda atrasado. Aperta o soneca, cai da cama e pula o desjejum para não se atrasar. O estômago, por estar vazio, começa a produzir um hormônio chamado grelina

A NECESSIDADE
A grelina será a responsável por estimular áreas do hipotálamo que, ao receber a informação de que o estômago está vazio, mandarão o recado para que células nervosas espalhem a SENSAÇÃO DE FOME, nome da necessidade fisiológica por alimentos que trarão energia para as funções vitais do corpo

SEM PRESSA
Hora do lanche! A distenção gástrica do estômago é o primeiro sinal de que, pelo menos por enquanto, o órgão está cheio. O sistema nervoso leva em torno de 20 minutos para entender isso. Coma devagar!

TCHAU, APETITE
Depois de ingerida, a comida ruma ao intestino. No duodeno, a presença de proteínas e gorduras estimula a ação da colecistoquinina (CCK) que, junto à distensão abdominal, é a maior responsável pela inibição da ingestão alimentar em curto prazo

RECADO ENTENDIDO
Quando os alimentos chegam ao intestino grosso, os hormônios PYY e GLP-1 ajudam a reforçar a mensagem de que é hora de fechar a boca

FALHA NA COMUNICAÇÃO?
Além disso, um hormônio produzido pelas células de gordura desempenha um papel importante no apetite. Quanto mais alta a concentração de leptina, mais alta a reserva energética. Nesse caso, comemos menos. Os mais cheinhos apresentam maior resistência à ação da leptina e acabam comendo mais

FIM OU RECOMEÇO?
Os hormônios da saciedade ficam na circulação sanguínea por cerca de três horas. E lá vem a fome. De novo!

Leia o restante desta excelente reportagem no Zero Hora.

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