quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

AS FANTASIAS DO REAL


Muito interessante. Leia até o fim

Em 12 de  julho de 1994,  7 dias depois do parto do  Plano Real, um economista publicou na Folha de S. Paulo um  artigo sobre o PLANO REAL recém-nascido.
O PLANO REAL teria  vida breve, garantia mas provocaria um  desastre de tal porte que o Brasil  demoraria algumas décadas para sair da UTI
Vale  a pena ler o artigo, logo abaixo, e a análise insana feita  pelo  economista cujo nome  é  REVELADO no FINAL   
           
AS  FANTASIAS DO REAL


Diga-se o  que quiser do Plano Real, pelo menos num aspecto ele foi bem sucedido. Conseguiu excitar a imaginação popular e passar a impressão de algo novo e diferente dos planos anteriores.

Os  arquitetos do real não pouparam sua imaginação para lançar velhas ideias com aparência de novas, como o Comitê da Moeda, Banco Central  independente, ou a dolarização com conversibilidade, mesmo que nada disso tenha sido utilizado.

Chegaram  ao ponto de reinventar os reis ou reais, uma nova moeda fantasiada do dólar e garantida por um lastro que não exerce nenhum papel prático, uma vez que o real não é conversível, a não ser o de dar a impressão de que o real vale tanto quanto a moeda norte-americana.

E todo esse barulho para quê? Para vestir com roupagens sofisticadas e muitos truques de ilusão, mais um ajuste tradicional, calcado no corte de gastos sociais, numa contração dos salários, num congelamento do câmbio e outros ativos e, sobretudo, num forte  aperto monetário com taxas de juros  estratosféricas.

A parte mais imaginativa do plano, que foi a superindexação da economia pela URV, revelou-se a mais perversa, porque passou a ideia de que os salários estavam sendo perfeitamente indexados e resguardados da inflação. Quando, na verdade, foram colocados em desvantagem na conversão para a URV em relação a preços, tarifas e vários outros custos e ainda perderam os reajustes automáticos que a lei salarial lhes garantia.

De  primeiro de julho em diante os salários serão pagos em real, que tem a aparência de ser uma moeda indexada, como se tivesse herdado as virtudes da URV, porém é uma moeda desindexada e totalmente vulnerável a corrosão inflacionária do real.

A regra  de conversão dos salários pela média e dos preços, tarifas e outros custos pelo pico, matou dois coelhos de uma só cajadada. Reduziu  preventivamente a demanda dos assalariados, que poderia aumentar com a queda brusca da inflação e comprimiu os custos salariais, dando uma folga para os preços.

Com esses artifícios, os preços têm chance de apresentar alguma estabilidade por algum tempo, porque desfrutarão de um conjunto de custos estáveis, como salários, tarifas, matérias-primas importadas, aluguéis e tudo o mais que foi congelado por até 12 meses, sem a aparência de estar congelado.

E aqui  também a ilusão funcionou, porque vendeu-se a ideia de que o plano  não utilizou o congelamento, quando, na verdade, congelou o câmbio, tarifas, aluguéis e contratos. Só não congelou mesmo os preços e deixou os salários no limbo de um semicongelamento, com o ônus de correr atrás do prejuízo que será causado pela inflação do real.            

Portanto, mais do que um plano eficiente e bem concebido, o real é um jogo de aparências, que pode durar enquanto não ficar evidente que as contas do governo não vão fechar por causa dos juros altos, que o mercado sozinho não é capaz de conter os preços dos oligopólios sem uma coordenação das expectativas por parte do governo, que os salários não manterão o poder aquisitivo por muito tempo, que o real não vale tanto quanto o dólar.

Mas não  se deve subestimar a eficiência das aparências e dos jogos de prestidigitação nas artimanhas eleitorais. As remarcações preventivas dos preços, junto com os congelamentos, permitirão uma  inflação moderada em julho e, talvez, uma ainda menor em agosto, numa repetição da trajetória dos preços por ocasião da implantação da URV, que subiram muito em fevereiro, na véspera da fase dois, elevando os índices de inflação de março, e depois caíram em abril e só voltaram a subir em maio e junho.

A questão é saber em quanto tempo o grosso da população irá perceber que uma  inflação moderada por si só, acompanhada por um aperto monetário e  recessão, não melhora sua situação, não cria empregos e, na ausência  de uma lei salarial e correções automáticas, pode ser tão deletéria  quanto uma inflação de 30% a 40% com  indexação.

REVELAÇÃO  do nome do AUTOR. O  texto foi escrito por ninguém menos que o atual Ministro da Economia  o PETISTA GUIDO  MANTEGA.

O  tempo é senhor da razão.

Passados  18 anos, o autor GUIDO MANTEGA  não pediu desculpas pelas  asneiras que escreveu,  não se declarou envergonhado com o papel de Cassandra nem pediu perdão  aos leitores que tentou iludir.

 

 

 


0 comentários:

Postar um comentário