segunda-feira, 24 de junho de 2013

5817 { Gênesis } => O Serviço compassivo

Amados Genesianos,
 
     O texto abaixo, que estou a compartilhar, foi um desabafo de uma irmã universal que trás consigo a retidão de pensar, de sentir e de agir... Não se trata de conversas demagogas, mas de uma voz que clama por justiça, por valores humanos... Coisas esquecidas pelo descaso de uma politica sem escrúpulos que vivemos na sociedade como um todo desde há muiiiiitoooo tempo e dentro de um contexto histórico não estudado nos livros didáticos de História Geral.
    É preciso ouvir os médicos brasileiros para compreender melhor a situação, o descaso na saúde. Que isso seja para muitos médicos (ainda que poucos!) que não tem a mesma postura. Você sabe que temos na educação pública e em outros setores públicos e até privados, o servidor que não serve... Que espera ser servido!!! E que infelizmente, são os que são lembrados na hora das prestações de contas. A questão da ética profissional deve ser restaurada em todo Serviço Público e Privado.... que os corruptos, os vagabundos, os acomodados, sejam reconhecidos e colocados nos devidos lugares de forma a enaltecer o trabalho de bons profissionais. O primeiro a ser resgatado é o SER... A lição maior é SER HUMANO. Isso não depende de profissão, cargos, encargos, de relacionamentos entre patrões e empregados, de chefes e subalternos, entre amigos e familiares e etc... Também não é uma questão de tempo, de lugar, de velocidade ou espaço; pois sabemos intuitivamente que tudo se resolve no AGORA. Oportunamente e Sempre no agora... Não temos mais tempo para melindres! As questões estão no âmbito coletivo, onde a subjetividade deixa espaço para o que é objetivo.
    Muitos pensam que o serviço público é terra sem lei e que os servidores são vagabundos e folgados, pois se não forem concursados para cargos efetivos ou estáveis, certamente são apadrinhados.. que bem por isso, não temem desemprego e agem displicentemente com àqueles que servem. Infelizmente, como já colocado acima, existem personas que realmente não correspondem as expectativas da população. Quem usa o Serviço Público, e todos nós usamos, bem sabe disso. No entanto, hoje estamos vivendo uma estória bem mais complexa diante das reformas das Leis Públicas e Privadas. A questão do serviço remunerado, em qualquer setor privado ou público está nos mesmos níveis da psique humana e dos estereótipos:  "Barnabé", "aspone" ,"chupins", "oportunistas",  "Gersons",.... são facilmente reconhecidos e rechaçados pelos colegas competidores. Há muito tempo por exemplo, que as professorinhas casadas com os "chupins";  mal casadas (como disse o Maluf, quando governador) deixaram de estar nesta situação de constrangimento para tomar a frente de suas vidas de modo digno e honrado, sem deixar de exercer suas atividades profissionais de forma idealista e sublime. Certamente, para os trabalhadores do setor privado, o fantasma do desemprego não tem feito os efeitos repressivos anteriores... Quanto mais apertado o vínculo empregatício, maior responsabilidade é exigida dos funcionários, e muitos ficam pululando de um lugar a outro. E o grande articulador das mentes humanas é o EGO. É no ego que está os grilhões da escravidão!! Algo bem mais sútil que os laços de compromisso e responsabilidade entre as pessoas que vibram nestas densas frequências.
    Cansei de observar a dança das cadeiras no serviço público... e no serviço privado também. Muitos, prestam concursos e são aprovados e tudo mais....Mas, quando constatam a realidade de suas escolhas, logo, pulam de um emprego para outro mais vantajoso... Uma grande ilusão!! Pois, toda sociedade está um caos... As paralizações não tem trazido nenhum tipo de vantagem a ninguém por exemplo. As pessoas estão bebendo do veneno que oferecem aos outros.
     Como parar o que já está estagnado? 
     Há uma forte pressão no serviço público em detrimento de um serviço privado de má qualidade também... Hoje, paga-se para nascer, para viver e para morrer. E como dizia uma velha funcionária aqui de casa quanto a esse aspecto da vida terrena: --- Não me preocupo com a morte. Eu não tenho onde cair viva;  cair morta, em qualquer lugar eu caio!!
     Interessante foi o vídeo da criança que nasceu num saguão de hospital (?), que caiu viva literalmente no chão, sendo apanhada por um senhor que rapidamente a levou para outras dependências do local, mas a mãe ficou entorpecida e pasmada no banco circular, esperando um nada dos que ali estavam....Havia pessoas uniformizadas de branco que ficaram olhando a cena sem tomar qualquer atitude humana nestes momentos cruciais da parturiente.
     E aí?
    Aí que isso me remeteu ao nascimento de Jesus numa manjedoura, por não ter tido acolhida em um lugar mais estruturado. As coisas continuam como antes!!! Porém, mais sofisticadas.
    Pagamos fortunas aos convênios médicos para um atendimento mais humano, tendo em vista o atendimento nos serviços médicos públicos e no entanto, não temos escolhas nos momentos de precisão.... Há muitos depoimentos sobre isso.  A doença e a saúde viraram produto de mercado na dança das mercadorias ... A informação chega truncada aos ouvidos dos incautos  que pensam conhecer a verdade através de meios de comunicação manipuladores, de mídia controlada e etc. Logo, o saber vai se distanciando daqueles que se perdem em discussões bizantinas.
   Enfim, cada um de nós precisamos despertar a consciência, viver consciência e SER a consciência desperta. Continuar incisivamente o trabalho interno. Cada um de nós é herói de nossa própria história na Terra. O guerreiro da Luz, sabe disso. Sabe que não é vítima e nem algoz de qualquer circunstância. O guerreiro vai além do que lhe é devido com atitudes nobres e dignificantes. Com desprendimento e Amor no Coração.
 
    Bjos na alma
 
    Rosa Maria
      
    
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
É IMPOSSÍVEL NÃO CONCORDAR…E CHORAR TB!

 

"O dia em que a Presidenta Dilma em 10 minutos cuspiu no rosto de 370.000 médicos brasileiros."

Há alguns meses eu fiz um plantão que chorei. Não contei à ninguém (é nada fácil compartilhar isso numa mídia social). Eu, cirurgiã-geral, "do trauma", médica "chatinha", preceptora "bruxa", que carrego no carro o manual da equipe militar cirúrgica americana que atendia no Afeganistão, chorei. 
Na frente da sala da sutura tinha um paciente idoso internado. Numa cadeira. Com o soro pendurado na parede num prego similiar aos que prendemos plantas (diga-se: samambaias). Ao seu lado, seu filho. Bem vestido. Com fala pausada, calmo e educado. Como eu. Como você. Como nós. Perguntava pela possibilidade de internação do seu pai numa maca, que estava há mais de um dia na cadeira. Ia desmaiar. Esperou, esperou, e toda vez que abria a portinha da sutura ele estava lá. Esperando. Como eu. Como você. Como nós. Teve um momento que ele desmoronou. Se ajoelhou no chão, começou a chorar, olhou para mim e disse "não é para mim, é para o meu pai, uma maca". Como eu faria. Como você. Como nós.
Pensei "meudeusdocéu, com todos que passam aqui, justo eu... Nãoooo..... Porque se chorar eu choro, se falar do seu pai eu choro, se me der um desafio vou brigar com 5 até tirá-lo daqui".
E saí, chorei, voltei, briguei e o coloquei numa maca retirada da ala feminina.
Já levei meu pai para fazer exame no meu HU. O endoscopista quando soube que era meu pai, disse "por que não me falou, levava no privado, Juliana!" Não precisamos, acredito nas pessoas que trabalham comigo. Que me ensinaram e ainda ensinam. Confio. Meu irmão precisou e o levei lá. Todos os nossos médicos são de hospitais públicos que conhecemos, e, se não os usamos mais, é porque as instituições públicas carecem. Carecem e padecem de leitos, aparelhos, materiais e medicamentos.
Uma vez fiz um risco cirúrgico e colhi sangue no meu hospital universitário. No consultório de um professor ele me pergunta: "e você confia?". 
"Se confio para os meus pacientes tenho que confiar para mim."
Eu pratico a medicina. Ela pisa em mim alguns dias, me machuca, tira o sono, dá rugas, lágrimas, mas eu ainda acredito na medicina. Me faz melhor. Aprendo, cresço, me torna humana. Se tenho dívidas, pago-as assim. Faço porque acredito.
Nesses últimos dias de protestos nas ruas e nas mídias brigamos por um país melhor. Menos corrupto. Transparente. Menos populista. Com mais qualidade. Com mais macas. Com hospitais melhores, mais equipamentos e que não faltem medicamentos. Um SUS melhor.
Briguei pelo filho do paciente ajoelhado. Por todos os meus pacientes. Por mim. Por você. Por nós. O SUS é nosso.
Não tenho palavras para descrever o que penso da "Presidenta" Dilma. (Uma figura que se proclama "a presidenta" já não merece minha atenção).
Mas hoje, por mim, por você, pelo meu paciente na cadeira, eu a ouvi.
A ouvi dizendo que escutou "o povo democrático brasileiro". Que escutou que queremos educação, saúde e segurança de qualidades. "Qualidade"... Ela disse.
E disse que importará médicos para melhorar a saúde do Brasil.... 
Para melhorar a qualidade....?
Sra "presidenta", eu sou uma médica de qualidade. Meus pais são médicos de qualidade. Meus professores são médicos de qualidade. Meus amigos de faculdade. Meus colegas de plantão. O médico brasileiro é de qualidade.
Os seus hospitais é que não são. O seu SUS é que não tem qualidade. O seu governo é que não tem qualidade. 
O dia em que a Sra "presidenta" abrir uma ficha numa UPA, for internada num Hospital Estadual, pegar um remédio na fila do SUS e falar que isso é de qualidade, aí conversaremos. 
Não cuspa na minha cara, não pise no meu diploma. Não me culpe da sua incompetência.
Somos quase 400mil, não nos ofenda. Estou amanhã de plantão, abra uma ficha, eu te atendo. Não demora, não. Não faltam médicos, mas não garanto que tenha onde sentar. Afinal, a cadeira é prioridade dos internados.
Hoje, eu chorei de novo.

 

Dra Juliana Mynssen

 

 


 

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